GuArDo Te (italiano) = do verbo GuArDaRe, olhar, observar. GuArDo-TE (português) = do verbo GuArDaR, alojar.

sábado, 6 de setembro de 2008

IL Mio Lavoro


Esta é a redacção do Hoje Macau.
O meu local de trabalho.
Agora descubram lá onde está o Wally =P

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Nono


Confesso que sempre tive muito orgulho nele.

Numa terra que vive da agricultura e da construção civil, eu dizia aos meus amigos que o meu avô era chefe de estação da CP.
O meu primo então exagerava e contava que era o dono dos comboios todos loOl


Da infância
lembro-me de um homem austero, sem ser frio, mas que raramente sorria.
Com a adolescência, descobri o galhofeiro que oferece sempre um copo do seu vinho caseiro em copos guardados num móvel da adega.


Há duas coisas que se podem aprender com ele.
A primeira é o respeito pelos mais velhos.
Nunca permitiu que o tratasse por tu ou dissesse ãh?
Tinha que ser você e diga?
Dá tudo o que pode dar.
Desde que lhe peçam primeiro e com educação.


A segunda é a justiça e a igualdade.
Sempre que dá alguma coisa é a todos e em partes iguais.


A primeira vez que o vi chorar tinha eu 21 anos.
Estava prestes a partir para Itália.
Foi aí que conheci o meu avô por dentro.


Hoje, já não ri tantas vezes.
O corpo está cansado.
As dores roubam-lhe a alegria aos poucos.

Chora mais vezes.

Quero acreditar que são as saudades.
Que esteja doente delas, assim como eu.


Já adulta ainda tenho mais orgulho nele.
Sem o meu avô eu não era o que sou.
Já falta pouco...

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Ormai ho capito

"Nos livros está tudo o que existe, muitas vezes em cores mais autênticas, e sem a dor verídica de tudo o que realmente existe. Entre a vida e os livros, meu filho, escolhe os livros."

in O Vendedor de Passados de José Eduardo Agualusa

domingo, 31 de agosto de 2008

Cabeça cheia de música I


So look what you've done, boy

in Auf Achse, Franz Ferdinand

Sonhos, Sogni, Dreams I

Estou viciada: em livros! Não os leio, devoro-os!

O novo livro que estou a ler dedica alguns capítulos a sonhos da personagem principal. Achei graça às descrições. Eu própria sonho muito e normalmente lembro-me deles, com todos os seus pormenores, quando acordo.

«“O pior pecado é não amar”, disse Deus, a voz macia de um cantor de tango: “Esta emissão tem o patrocínio das Padarias União Marimba.” (…) Os meus sonhos são, quase sempre, mais verosímeis do que a realidade.»

In “O Vendedor de Passados” de José Eduardo Agualusa

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Coincidência?

Ontem durante uma conversa apercebi-me de uma coisa que me deixou pensativa...

Aconteceu há cerca de um ano. Fui a uma entrevista para um part-time num restaurante. Conheci o dono, um homem que descobriu há alguns anos a sua vocação de astrólogo. Explicou-me como funcionava o estabelecimento e depois insistiu para eu ir à casa dele.

Porquê? Gosta de fazer o mapa astral às pessoas que vão trabalhar com ele.

Era noite. Passava da hora de jantar e ainda não tinha comido nada. Dentro do escritório dele, um sítio normal, muito diferente do que vemos nos filmes, sem as bolas de cristal e o carnaval todo associado à astrologia. Era mais um escritório de um homem de negócios e quanto muito um estudioso, que insistia para não mexerem nos seus livros:

"Foi este livro que me ensinou grande parte do que sei sobre astrologia", dizia ele enquanto o afastava das mãos potenciais destruidoras de uma criança de 10 anos que me acompanhava.

Pediu a minha data, hora e local de nascimento. Introduziu os dados todos dentro do computador. De repente, a impressora começou a fazer um barulho estridente de onde saiam vários papeis cheios de números e com o maldito mapa.

"Que coisa tão confusa!", pensei eu com os meus botões. "Como é que há gente que acredita na veracidade disto?"

O homem lá começou a interpretar aquilo. Umas coisas vinham escritas em inglês, se a minha memória não falha. Acertou em muitas coisas sobre a minha personalidade. "Coincidência", respondia eu só para mim.

O certo é que, nesse dia, cheguei a casa bastante zangada. O astrólogo previu-me um futuro bastante negro. "Cheio de nuvens negras", "muito sofrimento", entre outras coisas mais pessoais que prefiro não revelar. Aquilo deu-me a volta ao estômago... Nem jantei antes de ir dormir.

Ontem, lembrei-me desse episódio. Apercebi-me que tudo o que ele disse se confirmou...
"Toda a gente devia fazer o seu mapa astral, até as mães aos bebés quando nascem. Isto ajuda a prevenir tudo, incluindo doenças. Não quer dizer que se possa mudar o futuro, mas deixa-nos em alerta", explicou ele enquanto inseria os dados no computador.

Eu sempre acreditei que o destino somos nós que o traçamos. Continuo a acreditar. Mas o que significa isto tudo? Apenas uma coincidência?? Mistérioooooooo =)