
Reinava a confusão.
Um restaurante que tem a mania das finesses com o alarme a disparar e a porta de segurança a fechar sozinha. O estaminé cheio de clientela que até almoçava alheia ao que se estava a passar.
O empregado lá conseguiu abrir a enorme porta de metal que roubava a luz natural à sala. Mas o coitado não podia tirar o dedo do botão ou voltava a fechar-se.
Enquanto os empregados e o gerente do restaurante corriam de um lado para o outro, entra um grupo de três homens com um saco de fruta na mão. Ultrapassam a parte em que têm de dizer à menina quantos são e se querem lugar para fumadores ou não fumadores. A tal menina é uma das que anda às voltas, desesperada sem saber o que fazer.
Sentam-se numa mesa - entretanto o problema do alarme é resolvido - um deles puxa de uma ameixa e começa a comer, de cotovelo em cima da mesa e braço esticado.
Vem uma empregada que diz: Desculpe, mas não pode comer isso aqui. E ali fica o homem, sem perceber o que se passa, de ameixa com duas trincadelas na mão.
São com certeza visitantes da China Continental. Eu, a duas mesas de distância, aprecio a cena e penso: "É incrível como há culturas e padrões sociais tão diferentes dos nossos! Algures num sítio da China é normal chegar-se a um restaurante e puxar de uma peça de fruta e comer, antes de mandar vir qualquer coisa pelo empregado".
Já na rua, livre de restaurantes e empregados malucos, reparo que há ameixas por todo o lado. Nas bancas do mercado, nas mãos das pessoas, em sacos de compras e até a cair no chão, já só em caroço, vindas de sabe-se lá de onde...











